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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Já que você se foi

Quando você se foi
E seus olhos cerraram.
Meus sorrisos cessaram
A dor fez morada no meu peito,
viver sem ti de que jeito?

Quando você se foi.
Segurando em minha mão. 
Entendi que chegara o momento.
Da liberdade eterna do desprendimento..

Quando você se foi.
Levou contigo uma parte,
do que de melhor existia em mim.
Comigo deixaste acesa,
a chama da tua beleza.

Quando você se foi.
Não feneceu de todo.
Enquanto houver brilho em meu olho.
Estarás plena dentro de mim.
Por isso sigo mesmo assim.

Ja que você se foi
espero que seja
a mais bela estrela
que guia meus passos inseguros
me livrando dos medos obscuros.
e mostrando a felicidade que ainda procuro.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Gratidão ad eternum

Todos os anos escrevo textos refletindo sobre o natal ou sobre o ano novo, mas agora isso não foi possível diante dos compromissos que tenho em terminar minha tese. Por outro lado, creio que um dos principais propósitos dessas festas de fim de ano é demonstrar gratidão por todas as pessoas ou coisas que nos fazem bem. Unindo essa ideia com meu trabalho, decidi publicar os agradecimentos que irão constar em minha tese, e agradecer a todos que de algum modo me ajudaram a concluir essa etapa tão importante na minha vida.

AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradeço a mim mesmo pelo tempo, dedicação e perseverança que aprendi a ter durante essa caminhada, além de tantas outras coisas que conquistei nesse período. Em seguida e não menos importantes, à todas as pessoas cegas e com baixa visão do mundo, pois foram elas que me inspiraram a realizar essa tese e que me mantém forte para continuar na luta pelos nossos direitos.
À meus pais Nivaldo e Rosane Mianes, que são meus exemplos de conduta pessoal e, mais do que isso, desde sempre me ensinando a ter autonomia e responsabilidade, não vendo na deficiência um problema e sim um mundo de possibilidades. Muito grato aos demais familiares que de algum modo contribuíram para essa trajetória percorrida.
Meu agradecimento mais do que afetuoso para minha orientadora Lodenir Karnopp, uma pessoa sensacional com quem aprendi tantas coisas sobre a vida. Além das orientações, indicações de leituras, sugestões de escrita, “puxões de orelha” e elogios, contigo aprendi que pode haver afeto e poética na academia. Como diz o cancioneiro: “se alguém/ já te deu a mão e não pediu mais nada em troca/ pense bem/ Hoje é um dia especial..”, pois fizeste de cada dia desses últimos seis anos - entre mestrado e doutorado - um dia especial. Muito, muito obrigado!
Com muito respeito e afeto, sou grato a todos os colegas que tive no PPGEDU, sobretudo, aos que estiveram comigo em nosso grupo de pesquisas por todas as contribuições diretas e indiretas ao meu trabalho. Obrigado também a todos os professores que tive a chance de ser aluno e daqueles que mesmo não sendo, ainda assim me ensinaram tanto.
Especialmente à Janete Muller e Graciele Kraemer, que desde sempre estiveram ao meu lado estabelecendo uma sólida e bela parceria acadêmica, na leitura e pareceres sempre qualificados sobre minhas pesquisas. Obrigado pelo tempo e dedicação despendida, além da qualidade das observações de vocês, me fez crescer muito como pesquisador e como sujeito. Espero poder continuar privado de suas amizades e parcerias profissionais.
Muito obrigado aos profissionais do Programa Incluir, que durante tanto tempo me acolheram e me disponibilizaram todos os materiais e estrutura de acessibilidade que precisei durante todo o período. À Adriana Thoma pela amizade, carinho e parcerias de sempre – inclusive as de além mar -, às amigas bolsistas Thayse Benedet, Bianca Peixoto e demais que sempre foram atenciosos comigo. Obrigado Fabiana Guedes, por teu trabalho, por teus conselhos e pela amizade. Também agradeço especialmente à Liliane Birnfeld, que fez a pergunta que mudou a minha vida, no dia em que entrei pela primeira vez no incluir sendo recebido com a pergunta: “do que você precisa?”, e também por todo carinho e dedicação de sempre.
À Patrícia, que esteve comigo durante grande parte dessa trajetória me apoiando tanto quanto possível, meus sinceros agradecimentos. Aos amigos Carlos Ely, Juliano Dobertein e Fernando Becker, pelas conversas edificantes e inspiradoras de novas possibilidades de reflexão. Ao saudoso MAQ e a todos aqueles que nos deixaram, mas que continuam me inspirando a ser e a fazer.
Agradeço à Lisandra Correa, amiga muito especial que sempre me faz pensar em nossas conversas, e que é um exemplo de conduta e conhecimento para todas as pessoas cegas e com baixa visão. Grato pelos conselhos, e saiba que minha tese ficou mais rica com tua ajuda.Muito obrigado Mariana Baierle, minha ‘maninha’ mais nova, com quem tenho o privilegio de conviver e aprender cotidianamente. Tua amizade é muito importante para mim em todos os sentidos, e que seja ad eternum. Queridos Rafael Giguer e Ariane Kravczyk obrigado pelos conselhos pessoais e profissionais tão pertinentes e, claro, pelos debates sobre nossa condição de baixa visão.
Tenho certeza de que não escrevi a tese sozinho, e sim com a ajuda de todos que foram aqui mencionados. Fica minha gratidão e felicidade por ter um pouco de cada um de vocês em meu trabalho. Sinto-me lisonjeado por terem cruzado meu caminho. Continuemos lutando juntos pelo direito a ser diferente, e por um mundo onde mais importante do que enxergar, seja aprendermos a ver.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Até a próxima, UFRGS

Uma das coisas que a deficiência visual me trouxe de bom é ter aprendido muito com minha bengala branca. Descobri que ela só me leva para frente e não importa quantos obstáculos existam, segue adiante. Não nego que são muitas as ocasiões em que mesmo minhas pernas indo para o futuro, viro a cabeça e olho por trás de meu ombro para ver se encontro nem que seja um borrado de meu passado.
Essa história da bengala branca me guiar para meu norte se aplica aos objetivos pessoas e profissionais, ao fato de não guardar rancores por muito tempo ou algo do tipo. Porém, isso não quer dizer que eu não relembre o passado ou que não o valorize, muito pelo contrário, eu sinto saudades de tantas coisas. Muitas que não há como retomar – ao menos nessa vida – doerão para sempre, outras ficam na caixinha das boas lembranças e da saudade que me faz sorrir.
Despedidas sempre me deixaram triste, por mais que a decisão tivesse sido minha e que assim eu siga convicto. E, quando é algo que não depende de mim, fico ainda mais sensível e com o peito queimando. Sei que isso acontecerá em muitos momentos, já que a vida é feita de encontros e despedidas, como diria o cancioneiro. Isso não impede que eu sinta o mesmo gosto amargo todas as vezes.
Estou na UFRGS desde 2005, quando ingressei na graduação em Pedagogia. Então, era um rapaz de 22 anos que tinha uma visão limitada sobre a vida e sobre si mesmo, achando que as parcas migalhas possíveis seriam o suficiente para uma trajetória feliz. Tinha sonhos que hoje considero rasos, e que na época entendia como quase inatingíveis.
Durante esse tempo eu me aceitei de coração como alguém com deficiência, e hoje sinto como se eu jamais tivesse negado a mim mesmo. Aprendi que é preciso lutar pelo outro, por mais que ele não me seja recíproco, que tenho direitos pelos quais lutar. Aos poucos, fui me dando conta daquilo que me fez feliz como nunca, lutar com as armas que tenho para um mundo que respeite mais as pessoas com deficiência.
As armas que eu tenho são as minhas palavras e as minhas ações. A minha maneira de agir para um mundo melhor é sendo docente e pesquisador/ativista, fazendo de minha existência a tentativa de mostrar que podemos ir muito mais longe do que se pensa. Muitos dizem que as palavras que escrevo e falo as tocam, e quiçá seja esse meu rumo, tentar mudar as coisas através de meus trabalhos. Fiz e farei a minha parte para continuar vendo o sorriso das pessoas que se identificam com o que digo e que se sentem confortadas em ver que há pessoas como elas e lutando por elas.
Em minha trajetória entre graduação e doutorado percebi que é esse pulsar das pesquisas, o movimento da docência e as batalhas diárias em favor do direito a ser diferente que me fazem sentir pleno. Em inúmeras oportunidades pensei em desistir, já que as coisas pareciam não mudar, e mesmo assim segui, vendo ali adiante e em gestos tão simples que os resultados das coisas dependem dos olhos com que as vemos.
Sempre reivindiquei uma universidade melhor, já que sinto como se tudo ali fosse um pouco meu, afetivamente falando. Lembro-me da vez em que nosso PPGEDU retomou o conceito 6 da CAPES outrora perdido, e o que para muitos seria só um número, para mim foi o retorno ao lugar de onde não deveríamos ter saído, e eu que fiz parte dos que lutaram por isso, me emocionei como se fosse minha família que tivesse sido contemplada.
Por lá fiz muitos amigos e não há um dia que eu circule pela Faculdade de Educação que eu não encontre alguém que eu goste ou que me recebe com um sorriso verdadeiro. É uma pena que não tenha guardado na memória visual da fisionomia de todas elas que levarei sempre dentro de mim. Discordei de muita gente, a maioria fez com que eu crescesse como pessoa e como pesquisador por me incentivarem a ser melhor do que fora. Outros que passaram do limite do aceitável, desses nem lembro mais.
Depois de todo esse tempo, amanhã, dia 16 de dezembro de 2014 será meu último dia de aulas antes da defesa do doutorado. Aprovado ou não, as aulas - como aluno - na UFRGS se encerrarão para mim. Nunca mais vou reclamar das cadeiras desconfortáveis, ou do equipamento que não funciona ou da falta de acessibilidade na biblioteca.
Porém, eu também nunca mais vou levantar no dia mais chuvoso e frio do ano com alegria pelo simples fato de ir à UFRGS. Não vou mais ter o convívio diário com tanta gente que me faz bem e que já são amigos para todo sempre. Não vou mais vivenciar cenas engraçadas e tristes como gostava de acompanhar. Não vou mais poder dizer um simples: “até amanhã então...”
Poderia ficar aqui horas escrevendo sobre como esse tempo todo mudou a minha vida. Mesmo sendo mestre e quase doutor, sinto-me com animo de ir em frente como se eu ainda fosse aquele menino impetuoso de 22 anos. No entanto, agora tenho também a sabedoria e a serenidade de 32 primaveras vividas. Sei que tenho muito ainda para realizar pela vida, mas eu jamais me esqueço de onde venho, e a UFRGS é e será a minha casa.
Não sei como vai ser daqui para frente, se e onde vou trabalhar como docente ou outra surpresa que a vida possa me reservar. Quem sabe um dia eu possa retornar como professor, o que muito me honraria para o resto da vida. O que eu sei no momento é que tenho que me despedir por enquanto, e para usar um clichê que se aplica perfeitamente nesse caso, digo que saio da UFRGS, mas em momento algum ela sairá de dentro de mim...