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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

New York Café, acessibilidade e acolhimento em Curitiba

Desde a primeira vez que pisei em Curitiba foi amor à primeira vista. Adorei o clima da cidade - embora muitos detestem por conta da chuva e do frio - além da limpeza dos espaços e de uma sensação que não sei explicar mas que me toma sempre que circulo pelas ruas curitibanas. O sistema de transporte é relativamente bom, e existem muitos parques e espaços culturais para visitar.
Das vezes que fui, encontrei uma cidade acessível, onde as pessoas informam corretamente, existe aviso sonoro nos ônibus e pisos táteis pelo centro todo e nos espaços culturais que conheci. Me encantei com a acessibilidade da cidade que é um eldorado acessível perto do que temos em Porto Alegre.
Mais que isso, é sempre uma felicidade colossal estar na companhia agradabilissima dos amigos Juliano Doberstein e Ana Zagonel, que tornam minhas estadas em terras paranaenses sempre uma diversão inesquecível, vai ver é por isso que eu levo sempre essas lembranças em meu coração.
Enfim, eis que na mesma semana soube de dois ou três projetos sobre acessibilidade e inclusão em Curitiba que me encantaram muitissímo. Um deles encontrei no Blog da Audiodescrição e na Usina da Inclusão, que passo a transcrever abaixo:
 
[...]
Curitiba ganhou uma opção gastronômica diferenciada nas instalações, no cardápio e no atendimento. O New York Café, localizado na XV de Novembro, é um estabelecimento especializado na culinária americana, com ambiente brilhantemente decorado e que apresenta um conjunto de soluções em acessibilidade de destaque.
 

Uma série de veículos de comunicação explorou a questão da acessibilidade como diferencial e esses veículos ficaram tentados a chamar o New York Café de "o primeiro café acessível de Curitiba". Eu estive com Diele Pedrozo e Luiz Santo, proprietários do NYC, que me contaram detalhes da história do empreendimento e compartilharam posicionamentos que nenhum outro veículo explorou.
Afinal, qual é a vantagem em apostar na acessibilidade de maneira séria e holística? Isso dá resultado? Por que fazer isso?
Nenhuma dessas perguntas foi levada em conta no momento de planejamento e idealização doNew York Café. As características inclusivas do empreendimento são resultado da vontade de empreender e abrir o próprio negócio, aliada à criatividade genuína da dupla proprietária, somada a uma visão de mercado. A motivação não foi orientada por legislações obrigatórias, mas sim porque a ideia é ser assim. O diferencial é esse.
Diele é professora e coordenadora do projeto Ver com as mãos, uma iniciativa artística e pedagógica do Instituto Paranaense de Cegos. Luiz é um chef apaixonado pela culinária americana, publicitário e tem na bagagem experiências profissionais em diferentes restaurantes do Brasil e do exterior. A união desses dois contextos proporcionou a idealização de um espaço em que "tudo é bom para todos".
"A minha vivência com alunos cegos me aproximou do mundo da inclusão. Antes de abrirmos o café, eu já observava os obstáculos de acesso que pessoas com deficiência enfrentam e percebia que a vontade de frequentar, de sair, de participar existe, o que não existe é visão para que isso seja possível", comenta Diele.
O New York Café foi projetado não só para ter as portas dos banheiros largas, ou mesas em boa altura, ou rampas de acesso. É um espaço onde o cliente pode exercer o seu direito pleno de escolha e autonomia.
A equipe de atendimento é parte fundamental no projeto de acessibilidade do espaço.
"Quando trabalhamos no projeto da reforma do espaço, pensamos que cada detalhe deveria ser feito para que qualquer pessoa venha até nós e tenha total condições de ser um cliente autônomo e independente. Do momento da escolha do prato, ao pagamento da conta", pontua a proprietária.
E nessa missão de oferecer meios de autonomia para qualquer pessoa, a criatividade torna-se uma grande aliada. O café já conta com cardápios em braile e caracteres ampliados, mas isso não é o suficiente para os criadores: "Estamos tentando encontrar alternativas tecnológicas para que o cliente com deficiência visual tenha ao seu dispor um cardápio em áudio, por exemplo, ou possa ouvir a descrição do ambiente do café", ilustra Luiz Santo.
Atendimento personalizado
Outro pilar importante (até mesmo dentro do desenho universal de acessibilidade do café) é o treinamento que a equipe recebeu e que vem sendo aprimorado pouco a pouco. Para que um cliente com deficiência tenha uma experiência de autonomia, é essencial que quem o atenda também contribua para que isso aconteça e colocar essa ideia em prática pode parecer bem mais simples do que se parece.
Acessibilidade no atendimento
"A ideia de ter algo 100% acessível é um pouco distorcida. Isso vai depender da necessidade de cada pessoa. Nós respeitamos isso". A declaração de Diele explica porque a equipe do café trabalhou não só em um projeto arquitetônico diferenciado, mas apostou também no treinamento dos atendentes.
Saber indicar a posição dos talheres, prato e copo a um cliente com deficiência visual, sugerir a mesa com estrutura mais adequada ao cliente cadeirante, atender ao deficiente intelectual sem qualquer diferenciação de tratamento e respeitando o seu ritmo de escolha, ou ainda, receber treinamento básico de LIBRAS. Esse conjunto de diretrizes faz parte da prestação de serviços do estabelecimento.
Ao perceber que teriam que trabalhar com um atendimento diferenciado, os fundadores notaram que o tempo de coleta dos pedidos corria o risco de ser mais lento, o que em partes, pode complicar o fluxo global da prestação de serviço. O risco foi incorporado ao New York Café e acabou se tornando um diferencial relevante. Para Diele "Os clientes notam essa postura dos atendentes e entendem isso".
"Vamos imaginar que um atendimento a um cliente com deficiência demore duas vezes mais do que o normal. Se ele for bem atendido aqui, acaba voltando e com isso os atendentes passam a conhecê-lo pelo nome. É claro que isso é bom para qualquer pessoa e no fim das contas, todo cliente que é bem atendido volta e passa a ser chamado pelo nome. Por conta de tudo isso, não estamos sendo comparados a ninguém", comemora Luiz.
[...]
 
Serviço:
Rua XV de Novembro, 2916
De terça à quinta - Das 12h às 20h
Sexta e sábado - Das 12h às 22h
Domingos - Das 14h às 20h
...................................
São pessoas como esses empreendedores do café Nova York que me deixam feliz e com vontade de seguir na luta, claro, antes de continuar, passar por lá e fazer uma boquinha. Parábens pela iniciativa, tomara que mais ideias como essa proliferem!
 
 
 
 

sábado, 24 de novembro de 2012

Olhares na Feira Regional do Livro de Novo hamburgo


No próximo dia 29 de Novembro (quinta-feira), das 16h às 18h, será exibido o documentário Olhares, como parte da programação da 30º Feira Regional do Livro de Novo Hamburgo ( Teatro do Centro de Cultura - Rua Engenheiro Inácio Cristiano Plangg, nº 66 – Centro). No filme, pessoas cegas e com baixa visão contam suas experiências no acesso ao teatro, exposições, cinema, literatura, música e entretenimento.

A obra conta com audiodescrição – recurso de acessibilidade que permite acesso a pessoas com deficiência visual. Além disso, também possui legenda para pessoas surdas ou com deficiência auditiva Trata-se de uma produção independente dirigida por Felipe Mianes, historiador e doutorando em Educação pela UFRGS, e Mariana Baierle, jornalista e mestre em Letras – ambos com deficiência visual. A exibição será seguida por um debate com os diretores.

Segundo Mianes, o objetivo do trabalho é dar voz às pessoas com deficiência visual, destacando suas potencialidades na relação com o mundo artístico e cultural. “Queremos mostrá-las como protagonistas de suas trajetórias de vida, para além dos estereótipos e das restrições”, afirma ele.

Desde os entrevistados até os diretores de Olhares são indivíduos com diferentes graus de deficiência. Mariana Baierle comenta que ainda existe a ideia de que o deficiente visual é apenas o cego. “No documentário buscamos dar espaço também às pessoas com baixa visão (aquelas com acuidade visual inferior a 30%), que possuem peculiaridades e representam a maioria entre os deficientes visuais”, afirma ela.

É apenas de inclusão que precisamos? O que seria realmente a inclusão? O encontro convida à reflexão e ao debate sobre essas e outras questões trazidas no filme.

A atividade terá duração de duas horas e tem entrada franca.
 
 

Descrição da foto:
Sobre a imagem, o título “Olhares” em destaque, centralizado e em letras amarelas. Visto de cima e levemente desfocado, um piso de pedras portuguesas claras com rejunte escuro. À esquerda, uma bengala branca corta a imagem de cima a baixo. No centro, um pé com tênis preto e parte da perna de uma pessoa de calça jeans azul.
(Fim da descrição/ foto descrita por Felipe Mianes e Mariana Baierle)





 




FICHA TÉCNICA
Título: Olhares

Ano: 2012

Direção: Felipe Leão Mianes (historiador e doutorando em Educação pela UFRGS) e Mariana Baierle Soares (jornalista e mestre em Letras pela UFRGS). Ambos com deficiência visual, são pesquisadores na área da produção cultural e prestam consultoria sobre acessibilidade e audiodescrição

Gênero: documentário
 
Sinopse: Documentário sobre o acesso à cultura por pessoas com deficiência visual. Indivíduos cegos e com baixa visão trazem diferentes olhares sobre suas próprias experiências de vida, debatendo os problemas e as potencialidades de sua inclusão cultural por meio de recursos como a audiodescrição. Relatos que nos desafiam a refletir: É apenas de inclusão que precisamos? O que seria realmente a inclusão?









segunda-feira, 19 de novembro de 2012

docência não é gambiarra!

Nos últimos tempos a profissão de professor vem sendo espesinhada, ridicularizada e desvalorizada e, mesmo assim, qualquer pessoa se acha no direito de entrar numa sala de aula e lecionar - ou algo assim -, ou pelo menos tem o enorme desejo de tomar para si o lugar do docente, o que é no mínimo uma contradição.
Tem circulado fartamente em alguns - quase todos - os canais de mídia os projetos desenvolvidos nas escolas em que  comunidade escolar e os pais são convocados a "substituir" os professores, o que tem proporcionado "maravilhas" para as instituições que adotam essas práticas. Mas será que é mesmo essa gambiarra educacional que queremos?
Ao invés de reivindicar que sejam implementadas políticas educacionais que funcionem de fato e não só na propaganda governamental, a sociedade brasileira parece estar satisfeita com os pseudoprofessores que se tem produzido por ai, afinal, isso resolve as coisas a curto prazo, mas como o mundo não vai acabar em dezembro, precisamos pensar mais além.
Hoje em dia qualquer sujeito que tenha um curso superior - alguns até nem isso possuem - se acha no direito de poder exercer a docência como se diplomado e especializado fosse. Qualquer um fala de educação como se tivesse propriedade e apropriação dos fundamentos e de todos os elementos que a compõem. As vezes acho que todo mundo quando conclui uma graduação recebe junto um outro diploma de licenciatura plena.
Para mostrar que há um peso e duas medidas, me valho de um exemplo bem recente: o STF desobrigou o diploma de jornalista para atuação nessa área, e a imensa maioria da imprensa fez uma ferrenha campanha para que a graduação voltasse a ser requisito. O interessante e incoerente é que esses mesmos sujeitos exaltam os professores "gambiarras", que nem sequer licenciatura cursaram, mas que tomam o lugar do professor apenas tendo "boa vontade e disposição".
Não é uma questão de corporativismo, mesmo poruqe eu nem tenho intenção de atuar em escolas, mas, fico pensando para que serve meu diploma e todo tempo e dedicação que empreguei em meus estudos se qualquer um que entre numa escola é chamado de professor? As pessoas esquecem que a docência requer que tenhamos uma série de conhecimentos e práticas que apenas a licenciatura nos confere. Estudamos e pesquisamos fundamentados em bases científicas como as demais ciências o fazem, umas bem e outras nem tanto, mas fazem.
Acho até engraçado quando vejo exemplos na TV e nas conversas por onde passo em que, por exemplo, se elogia o fato de um engenheiro cívil dar aulas de matemática voluntáriamente em escolas. Não seria mais interessante lutar para que a escola tivesse um professor de verdade? e mais ainda, será que se eu fosse em uma obra que esse engenheiro trabalha e resolvesse tomar o lugar dele voluntáriamente também e começasse a agir como se engenheiro fosse, eu iria ser exaltado e elogiado? Com certeza não, já que obviamente eu não teria a mesma qualidade do citado profissional, pois eu não estudei e nem tenho experiências nessa área.
Outro fato bem interessante, nas escolas é que os pais dos alunos costumam questionar os metodos dos professores e a reclamar se o seu "anjinho" não anda bem na escola, como se a responsabilidade fosse só do professor e não também do aluno e/ou da familia. Mas será que um magistrado, um mecânico, um contador ou médico iria ficar feliz se eu começasse a dar pitacos na sua profissão e a dizer o modo como deveriam agir com seus clientes? - não que os alunos sejam clientes da escola. Então porque esses sujeitos que são meros neofitos na ciência educacional se arvoram a declinar o que há de "errado" com o ensino ou com os metodos do professor. Afinal de contas quem estudou para estar na função de docente?
Seja como for, fico pasmo com o modo como a docência é tratada no Brasil, como se fosse algo simples e sem muito valor, desde os baixos salários até a depreciação que se faz do profissional docente, que muitas vezes além das dificuldades inerentes à profissão é obrigado a lidar com a falta de estrutura nas escolas, com a falta de respaldo das direções e com a transferência de responsabilidade dos governos. Assim, ao contrário do que muitos pensam, lecionar não é só entrar na escola e dar aula, é algo mais complexo que exige mais do que vontade. Hei de ver o dia em que a docência será tratada com o respeito e deferencia que merece.
 
 
 
 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Porque é tão díficil pensar na acessibilidade UFRGS?

Acontece em Porto Alegre o X Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, no campus central da UFRGS, organizadora do evento - ao menos de seus professores e com o uso de sua estrutura física. Até ai nada de importante. No entanto, os organizadores do evento resolveram transformar o patio da universidade em um "circo", onde nós com deficiência somos tratados como "palhaços".
A manifestação parece muito ácida, mas não é menos forte do que as dores que sinto pelos três choques que tive, tropeçando na estrutura deixada no chão e em cordas que sustentam os estandes sofrendo inclusive um corte no abdomen. E eu, como doutorando em Educação e coordenador de um curso de extensão na universidade, tenho que ir até lá dáriamente, o que me obrigou a enfrentar aquele ambiente hostíl.
Eu seria injusto se dissesse que está mal sinalizado, afinal, nem há sinalização alguma. Isso demonmstra o quanto a universidade e a comissão organizadora do evento se preocupam de fato com a integridade física de TODAS as pessoas. É até engraçado - se não for triste - um congresso com essa temática causar mais danos do que benefícios a nossa saúde. Parece que essa "saúde" fica mais no discurso do que na efetividade prática.
Quando eu e outras pessoas fomos reclamar sobre esse absurdo que estão fazendo, começou o famoso "jogo de empurra", pois a organização do evento diz que a culpa é da empresa contratada para a logística. Essa, diz que a culpa é da universidade, que por sua vez diz que devemos reclamar diretamente para os organizadores. A transferência de responsávilidade é mesmo algo revoltante. Não me importa nem um pouco quem é o responsável, o que me interessa é o DIREITO que tenho de circular com liberdade e segurança ´por todos os espaços da universidade, que não está sendo respeitado.
Além disso, quando reclamamos, o primeiro argumento para explicar o inexplicável é o do desconhecimento sobre as questões de acessibilidade. Oras, existe a lei 5296 de 2004 que regulamenta e estabelece parâmetros para construções provisórias ou permanentes e outras tantas regras sobre acessibilidade. E, esse argumento é furado, pois no Brasil, NINGUÉM pode alegar desconhecimento das leis para não cumprí-las.
Outra justificativa - e essa doeu mais que as pancadas que sofri - é a de que "nunca tinhamos pensado nisso antes". Isso significa que nós com deficiência - e  todos aqueles que precisam de acessibilidade -  continuamos sendo simplesmente ignorados por uma considerável parcela do "mercado" da saúde, bem como de funcionários e professores da UFRGS. Digo a essas pessoas que nos consideram sujeitos de segunda categoria e um tanto desimportantes, que nós também pagamos impostos como todo mundo, logo, a universidade também nos pertence, e nós - pelo menos eu - exigimos acessibilidade sempre. É interessante como algumas pessoas tem tanta facilidade em se apropriar dos espaços públicos.
Toda vez que acontecem eventos na UFRGS em que são montados estandes é o mesmo problema, eu reclamo, fazem um protocolo e nada é feito. Mas, dessa vez, foram ultrapassados todos os limites do aceitável. É triste perceber que somos tidos como um grupo do qual "ninguém lembra", embora sejamos 1/4 da população brasileira. Mesmo assim, muita gente ainda acha que acessibilidade é algo superfluo e que nós que que devemos "arrumar um jeito" de nos adaptar aos espaços.
Me senti desprezado pela universidade, como se o fato de ter uma deficiência me obrigasse a simplesmente aceitar essa situação  como algo normal. Parece que eu estar na UFRGS é entendido como um beneficio tão grande que o fato de estar ali é o máximo que podem fazer por mim. Eu cheguei até ó doutorado pelos meus próprios méritos, e creio que a universidade tem o DEVER de me prover acssibilidade e segurança.
Outra alegação interessante é o conformismo de dizer que tudo é um processo e que eu devo relevar que muitas pessoas não conhecem sobre esses assuntos. O meu sentimento de impotência, a sensação de discriminação e descaso é atual e não um processo. Os arranhões e dores de cabeça são atuais também.
Como algumas pessoas poderão ver nas fotos que colocarei abaixo, não há espaço para passar com segurança, os objetos e estruturas estão jogados para todos os lados sem nenhuma preocupação com quem quer que seja. O patio é amplo, mas conseguiram a façanha de deixá-lo minúsculo e repleto de pequenas e grandes armadilhas como cordas suspensas, barras de ferro, cordas estendidas na horizontal na altura do pescoço, piso mal colocado....
Fato é que me senti completamente desrespeitado pela universidade e pelos organizadors, que disseram que iriam tomar atitudes paliativas, mas nem isso fizeram. De que adianta um pedido de desculpas se nada de efetivo é feito - e dúvido que seja.
Enfim, essas situações me dão ainda mais motivação para continuar lutando pela acessibilidade até a última gota de suor e de sangue que eu tiver. Sei que chegará o dia em que tudo isso fará parte do passado e acessibilidade vai ser entendida como algo sério e fundamental em qualquer lugar, se não for por compreensão será pela legislação.
 
Abaixo algumas fotos do "show de horrores":
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Reminiscências do inacontecido

A chuva seca todo meu sorriso.
Faz viver o que havia morrido em mim.
Versos antigos que vão pingando,
Como lembranças efêmeras que guardo na clandestinidade.
Vou represando cada gota de suor misturada com lágrimas.
A possessividade da tristeza talvez seja uma dádiva.

Pessoas tristes caminham pelas ruas.
Não sei se a melancolia é delas,
Ou reflexo do que há em mim.
Sinto saudade das vidas que não vivi.
Quimeras que quis acalentar.

Sou um poeta em prosa.
Um romancista em rima.
Um escritor prosaico.
Contradição é minha sina.

Vasculho reminiscências escondidas.
Invento finais felizes que esqueceram de acontecer.
Histórias de amor solapadas.
Frustradas como tinha que ser.
Amor de poeta não é o que se consuma.
Mas, o que nos consome.
Amor infinito não é o duradouro.
Mas, aquele jamais correspondido.
Que por nunca ter existido
Será eternamente doido.
..............
Felipe Leão Mianes
 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Espetáculo de dança contemporânea na Biblioteca Pública do RS terá audiodescrição da Tagarellas Produções no dia 10/11

 
(descrição do cartaz digital)

O cartaz do espetáculo é vertical. O texto, em vermelho e branco, foi aplicado sobre uma fotografia colorida. Nela, à esquerda, uma mão feminina de lado segura, entre o indicador e o dedo médio, um cigarro aceso. A palma está apoiada na folha de madeira crua de uma janela ou porta entreaberta. Uma luz suave sobre os dedos destaca a fumaça esbranquiçada do cigarro. Ao fundo, desfocada, uma superfície decorada com arabescos. A cremona da janela ou porta é dourada e tem desenhos rebuscados. À direita, por trás da vidraça esverdeada e com relevo floral, insinua-se a tênue silhueta da mulher que fuma. De frente, ela comprime levemente os dedos da outra mão contra a vidraça. O texto do cartaz está em caracteres como os das máquinas de escrever. Em um rodapé branco, logo abaixo da foto, as logomarcas dos patrocinadores, apoiadores e realizadores.
Ministério da Cultura e Triunfo Concepa apresentam...
Não me toque estou cheia de lágrimas. Sensações de Clarice Lispector.
Data: de 03 a 11 de novembro de 2012.
Local: Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul. Rua Riachuelo, 1190 - Centro - Porto Alegre.
Horário: 20h.
Nos dias 04, 10 e 11 de novembro, sessões duplas às 18h e às 20h.
No dia 10, às 18h, sessão para deficientes visuais com audiodescrição.
Entrada Franca. Senhas no local com 2 horas de antecedência.
Patrocínio: Lei de Incentivo à Cultura e Triunfo Concepa.
Apoio: Avante Filmes, Severo Roth - Desde 1963 e BPE - Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul.
Realização: Secretaria da Cultura - Rio Grande do Sul - Governo do Estado, Ministério da Cultura, Brasil - Governo Federal - País Rico é País Sem Pobreza.
(fim da descrição)


Não Me Toque Estou Cheia de Lágrimas - Sensações de Clarice Lispector, espetáculo do GEDA Companhia de Dança Contemporânea, terá uma de suas sessões acessível a quem tem deficiência visual. Será no próximo sábado, dia 10, a partir das 17h, na Biblioteca Pública do Rio Grande do Sul (Rua Riachuelo, 1190 - na esquina da Rua General Câmara, atrás do Palácio da Justiça), em Porto Alegre. A produção da audiodescrição é assinada pela Tagarellas Produções, com roteiro de Mimi Aragón, consultoria de Felipe Mianes e Mariana Baierle e narração de Marcia Caspary. O espetáculo tem entrada franca, mas a lotação máxima é de 40 pessoas. As senhas devem ser retiradas no dia da apresentação, na própria Biblioteca, a partir das 16h. A audiodescrição, que incluirá um breve relato da coreógrafa Maria Waleska Van Helden, inicia-se às 17h20 e o espetáculo, às 18h.
Concebido por Maria Waleska e dirigido cenicamente por João de Ricardo, o espetáculo de 45 minutos, distribuídos em três atos, percorrerá seis ambientes da Biblioteca Pública, cujo prédio está sendo restaurado desde 2006 e foi parcialmente reaberto ao público no final de outubro. As pessoas cegas ou com baixa visão acompanharão a ação com a ajuda de guias e poderão conhecer detalhes sobre os cenários, figurinos, iluminação, movimentos, gestos, expressões, projeções  e tudo o que for relevante para a compreensão da narrativa coreográfica. Um equipamento móvel de transmissão e recepção de áudio dará à narradora da audiodescrição e ao público a mobilidade necessária nas dependências da Biblioteca.

Os três atos de Não Me Toque Estou Cheia de Lágrimas - Sensações de Clarice Lispector (Nascimento, Infância e Compulsão) foram inspirados na vida da escritora nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, que morreu em 1977, tempos depois de conceder entrevista histórica à TV Cultura (http://youtu.be/djj_gdxUrPI), uma das referências utilizadas por Maria Waleska  na concepção da coreografia. A bailarina solista que dá vida à Clarice é Fabiane Severo. Catarina Leite Domenici assina a trilha sonora ao lado de James Correa e participa do espetáculo com piano e voz.
. Não Me Toque Estou Cheia de Lágrimas - Sensações de Clarice Lispector.
. Sessão com audiodescrição no dia 10 de novembro, sábado.
. Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul (Rua Riachuelo, 1190 - na esquina da Rua General Câmara, atrás do Palácio da Justiça).
. Início da audiodescrição às 17h20. Espetáculo começa às 18h.
. Entrada franca.
. 40 lugares.
. Senhas distribuídas no local, no dia da apresentação a partir das 16h.
. Produção do espetáculo: GEDA Companhia de Dança Contemporânea.
. Produção da audiodescrição: Tagarellas Produções.
. Informações sobre a audiodescrição: tagarellasproducoes@gmail.com | (51) 8118.9814 e (51) 8451.2115.