terça-feira, 14 de junho de 2016

Por um mundo com mais empatia

Temos passado por dias difíceis não só no Brasil, mas no mundo todo. Quando pensamos que a sociedade ocidental dará uma guinada adiante e deixando para trás velhas práticas que só atrasam a nossa existência em um mundo mais autruista, solidário e feliz, surgem novos fatos que nos fazem duvidar da humanidade, embora comigo isso não dure mais do que um minuto.
É uma tarefa árdua lidar com o contraditório, com aqueles que pensam diferente e que por vezes de acordo com os nossos posicionamentos, estão tentando fazer um mundo mais agradável para si do que para a coletividade, mas cada vez menos eu tenho caio nessa cilada. Eu não odeio as pessoas, apenas penso diferente delas - de algumas muitíssimo diferente, diga-se.
Diante dos últimos acontecimentos, tenho visto manifestações como:
"Se a mulher é oferecida demais, se veste como uma puta e transa com qualquer um, não é estupro, ela que pediu".
"Se a pessoa não tem um emprego é por que não quer, afinal, tem trabalho para todo mundo no Brasil"
"Se aqueles viados estivessem em casa com suas famílias e não saíssem desfilando sua promiscuidade por ai, não teriam morrido. Deus fez o homem e a mulher, qualquer coisa fora disso é nojento"
"Se o deficiente encontrasse Jesus, curaria seu pecado e voltaria a ser normal"
Vivemos em tempos nos quais por qualquer motivos as pessoas julgam umas às outras, sem pensar que de estilingue logo viram vidraça. Percebo que mesmo aqueles que fazem parte de minorias julgam outros como se o peso do preconceito também não recaísse sobre eles. Vejo cegos julgando gays, desempregados e pobres; vejo mulheres julgando outras mulheres, negros, nordestinos.
Já é hora de pararmos, refletirmos e de pensarmos de outros modos. Eu sugiro que a gente troque o julgamento pela empatia. Ao julgar o outro, estamos destruindo um pouco do que há dentro de nós mesmos, ao passo que se irradiarmos empatia estaremos construindo lindas e sólidas pontes entre nós e os outros.Fomentar a empatia significa cultivar o amor próprio, ou melhor ainda, descobrir o que é propriamente o amor.
A empatia pode ser o remédio que cure nossa falta de sensibilidade, pode ser o caminho menos tortuoso rumo a uma vida com menos rancores e mais compaixão. Ao evitarmos julgamentos nos livraremos das águas turvas e frias do preconceito e navegaremos nos verdejantes e tranquilos mares do amor.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Pelo direito de reagir

Um dos fatos mais comentados dos últimos dias foi a cusparada dada pelo deputado Jean Wyllys no fascista e desprezível Jair Bolsonaro. Muitas pessoas saíram em defesa do legislador que defende torturadores, mas nenhum deles manifestou-se quando veio ao ar o vídeo que mostra o filho de jair cuspindo em Wyllys. Qual o motivo de condenarem uma cusparada e abafarem outra? Eu mesmo respondo: Jean pertence a uma minoria, e minorias devem apanhar caladas.
Trouxe aqui um exemplo público para mostrar uma situação que as minorias costumam viver quando se atrevem a reagir quando sofrem uma agressão seja de que nível for. Eu poderia aqui citar negros,mulheres, refugiados, indígenas, pobres, homossexuais e outros, mas pretendo me centrar basicamente nas pessoas com deficiência que também passam por essa situação que pode ser considerada opressiva.
A maioria das pessoas cegas e com baixa visão que tem certa autonomia para sair às ruas passam diariamente por situações bem complicadas. Por vezes as pessoas nos agarram como se tivessem o direito de nos tocar ou segurar, sendo que não sabemos de quem se trata e isso causa sobressaltos. Outras vezes, perguntam: "você sabe para onde vai?", e vamos ouvir calados?
As pessoas nos param na rua fazendo as perguntas mais imbecis possíveis, se intrometem nas nossas vidas de maneira desnecessária e mexeriqueira, tentam dar palpites na maioria das vezes furados e absurdos. Muitas delas usam paravas que ferem até mesmo aqueles que são bem resolvidos quanto a sua deficiência, que humilham ou nos tratam com desdém, mas nos temos que ouvir calados?
Quando você é uma criança com deficiência e seus colegas são preconceituosos e demonstram toda discriminação ensinada pelos pais - as crianças nunca nascem com o preconceito dentro de si - através dos pequenos e grandes atos, ou quando os professores agem errado e não atendem as necessidades específicas dessas crianças prejudicando seu cotidiano, elas devem ouvir caladas?
Pois eu respondo a plenos pulmões a todas essas perguntas com apenas uma palavra: NÃO, N-Ã-O! É preciso reagir, e se possível com a mesma intensidade do ato proferido. Eu entendo que muitas pessoas tem comportamentos mais passivos - ou pacíficos, como queiram -, mas nós devemos ter o direito legitimo de reagir, e quem desejar que o exerça, claro, sem ultrapassar qualquer limite constitucional.
No entanto, o que eu vejo em muitas ocasiões é que pessoas sem deficiência tentam desqualificar nossas reações mais incisivas, na medida em que dizem que nós devemos entender que tudo é um processo, que não se devolve ignorância com ato semelhante ou que nós devemos ter paciência. Muitos afirmam que nós devemos entender isso e relevar, tomar atitudes afáveis e de aceitar o que o outro nos faz mesmo que seja ofensivo. Para mim, o nome disso é subserviência, e isso eu nunca terei.
As pessoas dizem isso por não viverem diariamente a mesma coisa dque nós, pedem paciência mas duvido que a teriam passada uma semana vivendo em nossa condição e com a hostilidade do mundo à sua volta. O que também noto, é que essa é uma maneira dos "normais" seguirem sua dominação sobre os "anormais", na medida em que não podemos nos revoltar nem reagir a qualquer provocação que nos é feita, somos seres inferiores e, portanto, não temos esse direito.
Ao controlar a ira das minorias, essa "maioria" segue sua dominação, seus processos de opressão e mantém com tranquilidade a hegemonia sobre nós, ao menos elas acham isso. Querem que sejamos dóceis, que não reclamemos de nada, que sejamos apáticos e sem reação alguma. Isso manteria a tranquilidade da sociedade harmônica que eles sonham em viver, na qual nós estamos sempre sendo entreves inconvenientes. E, se você acha que isso é mania de perseguição e que nós não deveríamos reagir assim, saiba que a maioria de nós se sente assim, oprimido, desde o momento que põe o nariz para fora de casa até a hora de voltar para ela.
Eu apoio plenamente todo tipo de protesto legalmente aceito, e até alguns moralmente duvidáveis dependendo do nível de transgressão, como a cusparada em Bolsonaro por exemplo. Sou favorável, incentivo e ajo sem abaixar minha cabeça e reajo a essas provocações. E se o preço a pagar for ser considerado antipático, bravo, revoltado, mal educado, que seja. Mas, eu jamais aceitarei que me discriminem, eu nunca compactuarei com preconceitos, humilhações e tentativas de me inferiorizar.
Quando nós reagimos, somos taxados de intolerantes, mas será que é isso ou reação à falta dela para conosco? Temos o direito de lutar, de retribuir na mesma moeda e de fazer com que nos tratem como merecemos. Durante séculos demos a outra face, e o que aconteceu? É muito bonito dar a outra face e usar frases de autoajuda quando o espezinhado não é você.
Por fim, não quero dizer que devamos ser sempre impacientes, mas saber reagir quando a provocação for além do limite. Também não estou dizendo que é uma luta de todas as minorias contra o resto da sociedade, é uma luta contra a parcela que tenta nos inferiorizar seja de que modo for. Estou aqui usando as leis da física em que uma ação gera reação de mesma intensidade no sentido contrário. Eu sempre respeito as pessoas, cumpro as leis, faço minha parte por um mundo melhor, e o mínimo que exijo é respeito, que não é um mérito, mas uma obrigação de todos.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Os professores "lado B"

Muita gente acredita que o fato de uma pessoa ter a docência como profissão faz dela alguém melhor e de conduta mais ilibada que os demais, sendo bem comum ouvirmos a frase: "isso que é professor heim". Isso não é exatamente uma verdade, pois conheço professor que assediaram alunos moralmente, outros que são preconceituosos e discriminam crianças e jovens com deficiência, só para ficar na seara que costumo analisar.
Não posso afirmar se são minoria ou não, o fato é que existem muitos professores que não honram seu dever de ajudar a construir o conhecimento e fazer um mundo melhor. É pública e notória a quantidade de docentes que são fundamentalistas religiosos, conservadores e que agem na contramão da lei. Uma profissão não confere capacidade maior ou menor a alguém por si mesma, aliás, nada se configura como maior ou menor per si.
Eu já escrevi muitas vezes sobre o importante papel social do professor e da necessidade de sua valorização tão ou maior que a dos médicos, advogados e engenheiros, mas desta vez optei por ver a situação de outro ângulo, o daqueles que envergonham a nossa classe, e que não são poucos. Por isso, embora me cause incomodo, sempre é preciso confiar desconfiando eem certos momentos. Eu se fosse pai, sempre confiaria mais no que diz o meu filho do  que na palavra de um professor, e se esse questionasse a legitimidade do mesmo, teria a certeza de se tratar deum professor mal intencionado e de caráter duvidoso.
Fosse o professor imune aos defeitos de índole, nunca teríamos docentes agredindo alunos, não teríamos ambientes de trabalho escolar com conflitos pessoais ou coisas do tipo. Caso isso fosse verdade, não haveria nenhum colega apoiando ditadores, golpistas e usando os conhecimentos que dizem ter para ajudar a manter as desigualdades sociais de nosso país.
Discriminar pessoas com deficiência é um ato escatológico de tão nojento, mas existem ainda muitos professores que o fazem, alguns abertamente e outros nem tanto. Todas as semanas me chegam relatos de professores que lidam direta ou indiretamente com crianças e jovens com deficiência e a primeira reação é "esse dai precisa de um cuidador especial", ou "tenho 12 alunos e um de inclusão" quando na verdade são 13 alunos (nesse caso, eu diria que são 12 alunos, um de inclusão e uma anta como regente)..
Muitos até, acreditam que essas crianças por terem alguma deficiência são ingênuas e simplesmente destilam comentários jocosos sobre a mesma, no entanto, muitos de nós aprendem a ter esperteza e saber mais do que se imagina. Isso pode gerar desconforto, sensação de deslocamento e insegurança nos alunos  Com a ampliação dos processos de inclusão esses fatos tem acontecido com mais frequência e a tendência é que essas dificuldades aconteçam até que a sociedade crie uma cultura de respeito à diferença.
Muitos professores das gerações anteriores não reciclaram suas práticas e creem, equivocadamente, que coagindo ou sendo enérgica com seus alunos ganharam seu respeito. Talvez alguns imponham medo, o que não é a mesma coisa.  Outros usam a tática de "dar o tapa e esconder a mão", tratando os alunos com dissimulação e um falso carinho para via de regra encobrir erros cometidos. Eu conheço casos até de docentes que vasculham a vida de pais de alunos em busca de algo para usar contra os mesmos.
Não estou aqui querendo dizer que todos agem assim,muito pelo contrário, estou falando daqueles que independentemente de ter uma licenciatura são profissionais e indivíduos mal caráter, e que isso existe em todas as profissões, não estando a nossa livre dessas "laranjas podres". Não são apenas os políticos que agem sem ética e sem respeito ao outro, muitos de nós também o fazem. Assim,não critico toda a classe, e sim aos que se enquadram nas categorias que elenquei até aqui, os que são do "lado B".
Amo  a minha profissão e não saberia  fazer outra coisa, acreditando também que somos capazes de fazer a diferença para construir uma sociedade onde mais do que incluir, se acolha. Mas não concordo com certa santificação que se faz de nosso ofício como se todos os professores tivessem sempre razão ou que suas intenções sejam as melhores em todas as ocasiões. Todas as pessoas tem defeitos e qualidades independentemente do trabalho que escolheram e isso reflete em suas práticas qualificadas ou não.
Assim, é preciso fazer a hipercritica de nossas práticas sem as concepções de que existe uma profissão com maior ou menor valor, que existe um tipo de pessoa que seja boa simplesmente por exercer essa tal profissão. 
Felizmente, conheço poucos professores "lado B", e os que tenho  o desprazer de cruzar pelo caminho, logo dou jeito de lhes dar o tratamento merecido de acordo com o suas faltas e do meu alcance para ajudar a mostrá-las, pois jamais serei conivente com os erros de quem quer que seja, mesmo sendo colega de profissão, só assim estarei cumprindo  plenamente com minhas atribuições de tornar o mundo um lugar melhor..

quinta-feira, 10 de março de 2016

Almas entrelazadas



Escribo palabras tan simples.
Solamente te quiero decir.
Ès que sin ti
Ya no puedo vivir.

De mi noche, tu és la luz.
De los dias, el sol que me calienta.
De mis caminos, la guia.
Llevame al cielo todos los dias

A veces creo que seas un sueño.
Pero el mejor és percibir
Que cuando acuerdo a tu lado
Veo que todo eso és la más bela verdade

No hay nadie más feliz que yo
Pues siento a cada gesto tuyo
Hasta en los detalles más pequeños
Que tengo todo tu amor

Pasé tantas vidas hasta tenerte de vuelta
Por eso te daré lo más belo que hay en mi.
Tu alma está con mia entrelazada
Haré de tu sonrisa mi eterna morada

terça-feira, 8 de março de 2016

CARTA ABERTA EM DEFESA DA AUDIODESCRIÇÃO



CONSIDERANDO que a Constituição de 1988 estabeleceu a obrigação do Estado de criar programas específicos para as pessoas com deficiência física, sensorial ou intelectual e facilitar seu acesso aos bens e serviços de uso coletivos;
CONSIDERANDO que o Congresso Nacional aprovou, por meio do Decreto Legislativo nº 186, de 9 de julho de 2008, conforme o procedimento do § 3º do art. 5º da Constituição, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007;
CONSIDERANDO que o Governo brasileiro depositou o instrumento de ratificação dos referidos atos junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas em 1º de agosto de 2008;
CONSIDERANDO que os atos internacionais em apreço entraram em vigor para o Brasil, no plano jurídico externo, em 31 de agosto de 2008;
CONSIDERANDO o disposto na Lei n. ̊ 7.853, de 24 de outubro de 1989, no Decreto n. ̊ 3.298, de 21 de dezembro de 1999, na Lei nº 10.048, de 08 de novembro de 2000, na Lei n. ̊ 10.098, de 19 de dezembro de 2000, e no Decreto n ̊ 5.296, de 02 de dezembro de 2004, que estabelecem normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, mediante a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias, espaços e serviços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios e nos meios de transporte e de comunicação, com prazos determinados para seu cumprimento e implementação;
CONSIDERANDO a sanção da Lei nº 10.098/2000, especificamente os artigos 2º e 17:Art. 2º Para os fins desta Lei são estabelecidas as seguintes definições:.II – barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso, a liberdade de movimento e a circulação com segurança das   pessoas, classificadas em:..d)   barreiras   nas comunicações: qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos meios ou sistemas de comunicação, sejam ou não de massa; Art. 17. O Poder Público promoverá a eliminação de barreiras na   comunicação e estabelecerá mecanismos e alternativas técnicas que   tornem acessíveis os sistemas de comunicação e sinalização às pessoas   portadoras de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação, para garantir-lhes o direito de acesso à informação, à comunicação, ao trabalho, à educação, ao transporte, à cultura, ao esporte e ao lazer;
CONSIDERANDO o Decreto nº 5.371/2004, que reformulou e estabeleceu as competências do Ministério das Comunicações e da ANATEL, no que se refere aos serviços de transmissão e retransmissão da programação de televisão, o que exigiu assim que o artigo 53 do Decreto 5.296 também fosse reformulado. Também neste mesmo ano, em outubro, o Comitê Brasileiro de Acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou a Norma Brasileira (NBR) 15290 que tratou da “Acessibilidade em Comunicação na Televisão”, trazendo o conceito de “descrição em áudio de imagens e sons”;
CONSIDERANDO o trâmite na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 5.156/2013, de autoria de Eduardo Barbosa   (PSDB/MG), que dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de audiodescritor;
CONSIDERANDO a relevância que possui para a acessibilidade das pessoas com deficiência aos meios de comunicação e informação existentes em uma sociedade moderna, este tema foi tratado com respeito na Convenção, mas interesses diversos podem não trazer os avanços esperados, levando as pessoas com deficiência a muitas lutas, inclusive a de se cumprir a própria lei;
CONSIDERANDO que, no Relatório Final da IIIª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, ocorrida em 2012, foram apresentadas 10 propostas onde a Audiodescrição esteve presente, em quatro dos nove eixos da Conferência: esporte, cultura e lazer (1), acessibilidade (2), comunicação (6) e segurança e acesso à justiça (1);
CONSIDERANDO a Instrução Normativa nº 116/2014 da Agência Nacional do
Cinema (ANCINE), que tratou sobre as normas gerais e critérios básicos de acessibilidade a serem observados por projetos audiovisuais financiados com recursos públicos federais geridos pela Agência e altera as Instruções Normativas nº. 22/03, 44/05, 61/07 e 80/08 e dá outras providências;
CONSIDERANDO a proposta de Regulamento Geral de Acessibilidade em Telecomunicações de interesse coletivo (Consulta Pública nº 18, agosto/2015) proposta pela Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL);
CONSIDERANDO que Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei Brasileira da Inclusão (lei 13.146/2015) trouxe, dentre seus 127 artigos, dois relacionados a Audiodescrição. No primeiro deles, que trata sobre os serviços de radiodifusão de sons e imagens, é apontado que os mesmos devem permitir o uso dos seguintes recursos, entre outros, subtitulação por meio de legenda oculta, janela com intérprete da LIBRAS e Audiodescrição (Art. 67). O outro dispõe da promoção da capacitação de tradutores e intérpretes da Libras, de guias intérpretes e de profissionais habilitados em Braille, Audiodescrição, estenotipia e legendagem, que deverá ser realizada pelo poder público, diretamente ou em parceria com organizações da sociedade civil (Art.73). Ambos estão no capítulo que trata do acesso à informação e a comunicação; Com base nos marcos legais elencados, nós – audiodescritores de produtos audiovisuais, espetáculos, eventos e demais modalidades de audiodescrição – e outros ativistas dos movimentos sociais em defesa dos direitos das pessoas com deficiência, diante da necessidade imperativa de regulamentação da profissão de audiodescritor e do estabelecimento de parâmetros de qualificação e certificação dos serviços prestados nesta área, propomos a viabilização das seguintes ações:
I) Que os gestores públicos estaduais e o governo federal estabeleçam um canal de diálogo com os profissionais, sobretudo aqueles que já têm uma trajetória histórica na prestação do serviço, bem como os demais profissionais, qualificados e certificados por instituições renomadas, a fim de pensar medidas concretas de organização da profissão e do serviço, principalmente, nas contratações públicas;
II) Que a Audiodescrição faça parte das políticas públicas de acessibilidade comunicacional e tenha garantia de recursos em eventos públicos (culturais, sociais, técnicos, científicos e políticos);
III) Que o Tribunal Superior Eleitoral exija dos partidos políticos que a Audiodescrição seja garantida na Propaganda Obrigatória;
IV) Que o Governo Federal, através da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) e do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), promova campanhas de divulgação da Audiodescrição e de apoio a toda e qualquer demanda que venha a qualificá-la e ampliá-la;
V) Que a Audiodescrição faça parte do Plano Viver sem Limite II, com recursos específicos para formação de profissionais, fomento à pesquisas relacionadas ao tema e implementação em eventos públicos;
VI) Que a SEDH, o CONADE e o Ministério dos Esportes, em parceria com os profissionais diodescritores, possam  pactuar coletivamente da garantia da Audiodescrição realizada por profissionais da área nas Olímpiadas e Paralimpíadas do Rio de Janeiro;
VII) Que a Audiodescrição faça parte do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) por meio das ações Escola Acessível e Escola Sustentável;
VIII) Que o Ministério da Educação (MEC), em parceria com a SEDH e o CONADE, estabeleça os critérios básicos para formação de audiodescritores, assim como para os cursos de audiodescrição e profissionais habilitados para execução dos mesmos;
IX) Que o Ministério da Educação (MEC) inclua nas políticas públicas relacionadas com a educação inclusiva a Audiodescrição como mais um dos diferentes recursos de Tecnologia Assistiva que auxiliam na aprendizagem, por meio da inserção deste recurso nos materiais utilizados nas salas de aula e nos demais processos de inclusão escolar e da capacitação de educadores e gestores do sistema educacional para que realizem descrições de imagens como mais uma ferramenta pedagógica.
X) Que os cursos de formação de audiodescritores sejam efetuados por instituições de ensino reconhecidas e bem avaliadas pelo Ministério da Educação, ministrados por profissionais com extensa  experiência de ensino,   pesquisa e/ou produção de Audiodescrição. Dessa forma, toda e qualquer atividade que envolva a Audiodescrição deve ser executada por um profissional capacitado e com formação para realizar sua função.
XI) Reiteramos nosso compromisso com todos os preceitos já mencionados anteriormente e com a busca constante pela qualidade da Audiodescrição, no sentido de promover uma sociedade mais inclusiva e acessível. Reiteramos, também, a necessidade da valorização da Audiodescrição produzida com qualidade e respeito aos usuários. Para tanto, são  necessários profissionais   capacitados com formação adequada e que agreguem qualidade ao produto, aperfeiçoando-se cada vez mais nessa área de atuação.
XII) Que o consultor em audiodescrição seja incorporado na cadeia de produção da audiodescrição de produtos audiovisuais, eventos, espetáculos e em outras modalidades de aplicação deste recurso de acessibilidade;
XIII) Que sejam estabelecidos mecanismos de feedback e avaliação dos usuários da audiodescrição relativamente à qualidade dos serviços prestados.
Por fim, nós audiodescritores abaixo relacionados, destacamos que a Audiodescrição, como um dos recursos que garante a igualdade de oportunidades a pessoa com deficiência, deve ser priorizada na formatação de políticas públicas inclusivas no âmbito federal, estadual e municipal e nos poderes executivo, legislativo e judiciário e sua internalização nestes espaços passa pelo diálogo com os profissionais que executam o serviço.  Audiodescrição - transformando imagens em direitos!

1. Amanda Christiane Rocha Nicolau , Curitiba/PR.
2. Ana Maria Lima Cruz, São Luís/MA, Professora do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Maranhão.
3. Andréia Paiva Araújo Ferreira, São Paulo/SP. Atriz, Audiodescritora, psicóloga, Especialista em Audiodescrição – UFJF.
4. Andreza Nóbrega, Recife/PE, Audiodescritora (VouVer Acessibilidade)
5. Cândida Abes, Campo Grande/MS, CAP-DV, Especialista em Audiodescrição UFJF.
6. Clarissa Agostini Pereira, Florianópolis/SC, Audiodescritora.
7. Cristiana Mello Cerchiari, São Paulo/SP, Consultora em Audiodescrição.
8. Daniella Frchetti, São Paulo/SP, Pesquisadora em Dança Inclusiva e Artes Acessíveis, Audiodescritora, Mestre em Distúrbios da Comunicação, Especialista em Linguagens das Artes, Blogueira do Arte da Inclusão, Diretora do DiDanDa Grupo Experimental de Dança.
9. Eliana P. C. Franco, Rio de Janeiro/RJ, Especialista em Tradução Audiovisual, Audiodescritora. Docente Colaboradora da Especialização em Acessibilidade Cultural (UFRJ) e da Extensão da PUC-Rio.
10. Elizabet Dias de Sá, Belo Horizonte/MG, Especialista em Audiodescrição – UFJF.
11. Eva   Suzana   Weber   Mothci, Porto   Alegre/RS, Jornalista, Tradutora e Especialista em Audiodescrição.
12. Fabiane Urquhart Duarte, Santana do Livramento/RS. Especialista em Audiodescrição - UFJF.
13. Felipe Leão Mianes, Porto Alegre/RS, Audiodescritor. Doutor em Educação pela UFRGS; atualmente realiza Pós-Doutorado na Universidade Luterana do Brasil.
14. Flávio Coelho de Oliveira Júnior , São Pulo/SP, Audiodescritor, Especialista em Audiodescrição – UFJF, atuação na Fundação Dorina Nowill para Cegos.
15. Gabriela  Alias   Rios, São Paulo/SP, doutoranda em Educação pela Unesp,
Especialista em Audiodescrição – UFJF.
16. Jorge  Amaro   de   Souza   Borges , Viamão/RS, audiodescritor e assessor da Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com   Deficiência   e   Pessoas   com  Altas   Habilidades   no   RS   (FADERS), Especialista em Audiodescrição – UFJF.
17. Kelly Scoralick, Juiz de Fora/MG, Universidade Federal do Rio de JANEIRO
(aluna doutorado).
18.Kemi Oshiro Zardo, Porto  Alegre/RS,  Audiodescritora, Especialista em Audiodescrição – UFJF.
19.Larissa Hobi Martins, João Pessoa/PB. Mestra em Artes Cênicas, Especialista em Audiodescrição, Pesquisadora   do   Grupo   Teatro:   tradição   e contemporaneidade (CNPq).
20. Larissa Magalhães Costa Rio de Janeiro/RJ, Audiodescritora (CPL – Soluções em Acessibilidade).
21. Letícia Schwartz, Porto   Alegre/RS,   Audiodescritora   (Mil   Palavras),
Especialização em Audiodescrição – UFJF.
22. Liliane Costa Birnfeld, Porto   Alegre/RS,   Audiodescritora,   Pedagoga, Especialista em Audiodescrição – UFJF.
23.Lívia Maria Villela de Mello Motta, São Paulo/SP, Coordenadora do Curso de Especialização em Audiodescrição – UFJF, Audiodescritora e formadora de audiodescritores.
24. Marilaine Castro da Costa, Porto Alegre/RS, produtora, Audiodescritora, (aluna do Mestrado em Comunicação Acessível do IPL, Portugal).
25. Marilia Dessordi, Campinas/SP, Audiodescritora.
26. Marisa Ferreira Aderaldo, Fortaleza/CE, Pesquisadora em Audiodescrição, Universidade Estadual do Ceará.
27. Melina Cardoso   de   Paula   Braghirolli , Santo   André - SP, jornalista, Audiodescritora (Folha de São Paulo), Especialista em Audiodescrição – UFJF.
28. Mimi Aragón, Porto Alegre/RS, Audiodescritora (OVNI Acessibilidade Universal).
29. Mônica Magnani Monte, Rio de Janeiro/RJ, Audiodescritora, Especialista em Audiodescrição – UFJF.
30. Patrícia Gomes de Almeida, Juiz de Fora/MG.
31. Patrícia Silva de Jesus, Salvador/BA, Coordenadora da Educação Especial do Estado da Bahia.
32. Sônia Regina Silva Miranda, Goiânia/GO.
33. Vera Lúcia Santiago Araújo, Fortaleza/CE, Universidade Estadual do Ceará - Pesquisadora em Audiodescrição (Pesquisadora Nível 2 do CNPq)
34. Veryanne Couto Teles, Brasília/DF, professora da Secretaria de Educação do DF, Especialista em Audiodescrição – UFJF.


Para assinar a carta envie nome, cidade, estado e profissão para:  jorge-amaro@faders.rs.gov.br

Nota do blog: Para os audiodescritores que desejarem assinar, entrem em contato conosco neste blog ou diretamente com o Portal da Acessibilidade para incluir sua assinatura deixando nome, cidade, estado e instituição.
Pedimos a todos os colegas audiodescritores e demais ativistas, militantes e interessados em auxiliar na luta por uma sociedade mais acessível que divulguem a carta em todos os espaços possíveis para que o maior número de pessoas e entidades tenham conhecimento e se for o caso, se juntem conosco na reiindicação por audiodescrição de qualidade e sua por ampliação.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Há um ano, um sonho alcançado!



No dia 25 de Fevereiro de 2015 eu realizava o sonho da minha vida até aquele momento e me tornava Doutor em Educação. Naquele tempo em que eu era um menino que queria ser professor, jamais imaginei que pudesse chegar até aqui diante das condições e circunstâncias que a vida me apresentou.
O que ficou provado é que ainda que eu seja uma exceção, um sujeito que nasce na periferia pode sim se tornar um doutor, e que mesmo a educação brasileira sendo muito problemática para as pessoas com deficiência, podemos ser protagonista no mundo e, principalmente, de nós mesmos.
Serei sempre grato aos meus pais pela educação, carinho e confiança que me deram, talvez seja o exemplo da dedicação deles o que mais me impulsiona adiante. Na maioria das vezes eles foram comigo o que eu quero que todos os pais sejam com seus filhos com deficiência, que permitam que eles errem, deixem que eles quebrem a cara, e que aprendam por si mesmos as delicias e as dores do mundo, que vejam primeiro a pessoa e só depois a limitação corporal.
Estudei sempre em escolas particulares que meu pai e minha mãe se desdobravam para pagar. No entanto, o ensino não era nem próximo ao ideal, ainda mais para um adolescente com deficiência, sem nenhuma adaptação era sempre um esforço dobrado. Até pouco tempo ainda me sentia com déficit de conhecimentos tendo sempre que estudar mais do que os outros para poder chegar perto de me equiparar aos demais.
Não conto isso para dizer que me superei ou para aderir ao “coitadismo”, mas para demonstrar que o passado me faz valorizar o presente, e o quanto eu sou grato pelas oportunidades que tive e que aproveitei. Sou grato inclusive às chances que perdi, foram muitas delas que me fizeram ir em frente e chegar onde estou.
Obrigado ao governo do estado do Rio Grande do Sul por ter negado minha entrada como professor por ser pessoa com deficiência. Foi a maior discriminação – institucional – que passei, e isso me fez rever os rumos da minha vida e reencontrar minha vocação de buscar fazer a minha parte na luta pelos direitos das pessoas com deficiência.
Seja como for, após tornar-me mestre em 2010, fui aprovado para o doutorado e ingressei em 2011. Desde aquele momento eu vivi intensas e inesquecíveis aventuras. Estava fazendo aquilo que eu mais sonhava pesquisar, lecionar e atuar como ativista para um mundo mais justo, fazendo – ou tentando – a minha parte para tornar o mundo um lugar menos preconceituoso e que valorize mais as diferenças das pessoas.
Tive a oportunidade de viver em Barcelona, que foi uma das grandes experiências pessoais e profissionais da minha vida. Nunca me esquecerei de nenhum daqueles dias tão repletos de aprendizados e de belezas sem fim. Conheci outros lugares e pessoas que muito me acrescentaram, e nada pode ser tão mais especial do que isso.
Foram quatro anos de trabalho intenso e dedicação completa à minha tese que se não é a melhor tese do mundo, é a melhor que eu pude produzir. Ainda assim, sem modéstia, acho que ela tem bastante qualidade e que agrega bastante ao debate sobre os modos de vida e processos educacionais de pessoas cegas e com baixa visão.
Talvez porque, enquanto eu escrevia a tese eu reescrevia minha própria história, na medida em que eu era ao mesmo tempo objeto e pesquisador, fui escolhido pela pesquisa e não o contrário, o que fez dela uma parte minha, que doei a outrem, afinal, agora a tese é do mundo e já não pertence mais a mim.
Tenho muito orgulho do que produzi no doutorado, dos textos que escrevi, dos que deixei de escrever, das noites em claro preocupado com uma dificuldade na escrita ou nas ideias embaralhadas ou escassas. Recordo com alegria dos nãos e= que disse aos amigos que convidavam para a festa, sempre com a mesma fala: “preciso ajeitar a tese, tenho que terminar uma coisinha aqui”. Escrevi e apaguei milhares de vezes até encontrar a frase correta. Li muito, aprendi muito, tive mais dúvidas do que certezas. E assim fui tecendo a tese até o fim.
Após a entrega do texto final da tese vem a apreensão e o medo daquilo que poderia acontecer na defesa. Mesmo sabendo ter uma boa tese as preocupações e a sensação de que algo vai dar errado é mais forte do que o sentimento racional. As dúvidas e as incertezas tomavam conta de mim e eu quis tanto que o dia chegasse logo.
Quando a banca começou e eu declamei um poema, aquelas sensações ruins foram dissipadas. Fiquei concentrado e tranquilo, tudo transcorreu melhor do que eu imaginava, com críticas construtivas e elogios generosos comigo. Finalizei um ciclo de muitas alegrias, diversas batalhas e muitas histórias para contar.
Foram tantas coisas que se passaram nesse tempo que demoraria muito para contar todas as coisas que vivi e que aprendi nesse tempo todo. Mas, preciso fazer agradecimentos especiais à minha orientadora Lodenir karnopp, que tanto me ensinou a ser pesquisador e a ser uma pessoa melhor.
Agradeço às pessoas que estiveram na minha banca examinadora, professoras Maura Lopes e Rosa Hessel que estiveram tanto na defesa de projeto quanto na defesa final. Grato também à professora Eliana Franco, que esteve na defesa do projeto, e Lívia Motta que esteve na defesa final. Aprendi muito com todas as contribuições de vocês, concordei e acatei a maioria, discordei e debati algumas delas, mas certamente analisei com carinho e atenção a cada uma delas.
Obrigado aos meus colegas de grupo de orientação e de temática com os quais estudei e pesquisei por mito tempo. Faço uma menção em nome de todos através da Janete Muller, amiga que sempre foi parceira de trabalho e uma estimada amiga, e que mesmo depois da minha saída da UFRGS e de seus inúmeros afazeres ainda mantemos contato, afinal, amizades verdadeiras sobrevivem às distâncias e compromissos.
Agradeço também a minha amada Fabiana, atualmente minha esposa, mas que na época estava comigo há pouco mais de um mês, mas me transmitiu toda a confiança e a tranquilidade necessária para que eu finalizasse a tese e a defesa da melhor maneira possível. É por viver com ela diariamente que vejo minha tese viva em suas atitudes, nas lutas e nas conquistas que obtemos. Foi ela que por essa época começou a me devolver o prazer da literatura e de tantas outras maravilhas que a vida proporciona.
Por conta da tese e de meu desejo de seguir pesquisando também tive a possibilidade de ser selecionado e estar cursando meu pós-doutorado na ULBRA; Desde que conheci o programa de pós-graduação em educação simpatizei com as pessoas, estive alinhado às temáticas, e tinha o sentimento de que um dia eu seria parte daquela equipe, para minha sorte, esse dia chegou e hoje posso dizer que me sinto muito feliz trabalhando na instituição e com aquelas pessoas.
Sei que ainda tenho muito para aprender como pesquisador, muito a evoluir em termos de currículo, sei onde preciso melhorar e o que fazer para chegar aos patamares desejados. Segurei como sempre, trabalhando com dedicação para qualificar cada dia mais, batalhando e fazendo a minha parte para tornar o mundo mias justo, e não deixando morrer a chama que acendeu em mim com a construção da tese, e que levarei comigo para o resto dos meus dias. .