quarta-feira, 12 de março de 2014

A idiotia do preconceito, e o que você pode fazer



Que mundo deixaremos para as gerações seguintes? O que vão ter que enfrentar quando tiverem que encarar a sociedade doente que temos à vista? Nos últimos tempos temos assistido a uma escalada das manifestações racistas, homofóbicas e contra tantas outras diferenças.
O preconceito sempre existiu na humanidade, mas as doenças sempre existiram também e nem por isso as pessoas se conformam com elas. Sim, a comparação é boa, porque o preconceito é a doença que mais mata a humanidade. É como uma tortura, posto que a vítima dela vai sendo corroída e morta aos poucos, é assim que me sinto quando sofro com isso, é assim que me sinto vendo outras pessoas passando por isso.
Sempre se tentou inventar uma história de que o povo brasileiro é tolerante, e essa é a maior mentira que já se contou sobre o povo brasileiro. Pior ainda, é viver no estado mais racista e preconceituoso do Brasil, no caso, o Rio Grande do Sul. Não por conta dos últimos acontecimentos, mas pelo que vejo e sinto desde que eu existo.
Não sei o que leva uma pessoa a se achar superior a outras por algum tipo de característica física ou social, mas o que eu sei é que um bebê não é preconceituoso, ou seja, isso se aprende a ser. Não creio que seja possível fazer uma mudança de consciência nos atuais imbecis que circulam socialmente e que tem esses valores, mas com a nova geração, quem sabe.
Em muitas ocasiões parece que essa mudança está ocorrendo mas então, vem Feliciano, Bolsonaro e Heize para nos mostrar que está tudo pior do que antes. Esses sujeitos são a parte escatológica da sociedade, contudo, mais ainda são aqueles que os elegeram e os aplaudem. Isso demonstra que o racismo e a discriminação estão crescendo por baixo da terra, sem que a gente possa ver, e quando menos esperamos esse vulcão entra em erupção e retornamos ao ponto zero da intolerância e da idiotia.
Se o querido leitor acha que eu estou exagerando ou sendo radical, imagine passar a vida toda tendo o dedo apontado na sua direção, e nãopara elogiar, mas para chamar de “defeituoso”, “coitado” ou coisas bem piores. Não há quem ainda não tenham sofrido preconceito, mas a questão é como e o que fazer com essa sensação amarga.
A gente pode se dar conta de que um preconceito por mínimo que seja é uma violência e decidir não seguir esse caminho se colocando no lugar do outro e romper com essa corrente que nos levará à bestialidade, ou continuar agindo assim e contribuir para a degradação de nossa sociedade, cada um que escolha o seu lado.
Tudo isso fica ainda mais potencializado com a emergência das redes sociais, já que no Facebook e no twitter tem ficado cada vez mais evidente uma tendência de as pessoas acharem que podem dizer o que querem sem pensar nas consequências, se escondendo por trás de fakes e outros artifícios. Ao menos antigamente o preconceito era face a face.
Mais do que isso, esse comportamento antissocial tem ultrapassado a esfera cibernética e tomado conta das ruas, perceptível nas manifestações cotidianas, inclusive as consideradas adequadas, como o uso do politicamente correto para “escamotear” a discriminação . O preconceito muda de forma, fica mais ou menos explicito, mas ainda assim está sempre presente.
O problema é que quando acontecem casos de preconceito de qualquer ordem que repercutam na mídia, cria-se certo clamor e comoção popular, mas na semana seguinte tudo cai no esquecimento e o preconceito volta para baixo do tapete, e continua crescendo.
Não há um processo educacional e de mudança de mentalidade social, algo que acontece nas pequenas coisas, como não usar o termo “denegrir”  por exemplo, que parece uma coisa pequena, mas é nos detalhes que se mudam as mentalidades.
Também acho que a bandeira escolhida por aqueles que lutam contra o o preconceitos é errada muitas vezes. Ao pregar a igualdade, talvez estejamos justamente dando argumento para aqueles que esmigalham a diferença. Nós não precisamos e não devemos ser iguais a ninguém.
Nós temos é que ser diferentes, e quanto mais diferentes melhor. É preciso ostentar o estandarte da diferença. Talvez seja interessante perceber que o diferente nos enriquece e não nos invalida, que a diferença é o que confere beleza e colorido à sociedade. Não uma diferença que a gente possa controlar, tolerar ou “apenas” conviver, mas sim, que a gente possa compartilhar e acolher, que o respeito a quem não é como eu seja condição irrevogável na sociedade.
Ainda acredito que todos nós possamos chegar a uma sociedade que valorize a diferença, onde os preconceitos se resumam a um mínimo ou que ele não exista mais. Se eu não tivesse crença nisso eu não estaria lutando para mudar esse quadro com atitudes cotidianas, com meu trabalho e dando a minha vida por essa causa.
O suor de sempre e as lágrimas de agora hão de ser combustíveis para que eu continue a minha luta. Muitas vezes dizemos que o mundo tem que mudar, mas que tal se começarmos essa mudança por nós mesmos?.
O mundo só mudará quando cada um de nós mudar, e isso não depende de governos, leis ou de outras circunstâncias, é papel seu, meu, de todos. Pode ser uma ideia puída e utópica, mas que ainda não foi tentada, que tal se a gente começar?

domingo, 9 de março de 2014

Um novo sentido



É um engano pensar.
Que sou só olhos que não enxergam.
Pelo modo como vejo.
Não preciso de retina ou cristalino.
Mas de criatividade e coração tranquilo.

A cegueira é meu grito de liberdade.
Recuperando amiúde.
Sensações roubadas pela visualidade.
Sou agora dono de minhas próprias imagens.

A luz que se vai,
Não leva o brilho do meu olhar.
Tenho ainda muito a conquistar.
Posso ter o mundo em minhas mãos.

No epitáfio de minha física visão escrito está:
Perco um sentido sensorial.
Ganho um sentido existencial.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Ode à acessibilidade



Acessibilidade não julga, se compartilha.
Acessibilidade não reparte, aglutina.
Acessibilidade não compete, dá as mãos.

Acessibilidade não divide...multiplica!
Acessibilidade não recorta, costura.
Acessibilidade não faz barulho, cria melodias,

Acessibilidade não fecha portas, escancara portas e janelas ...convida para entrar e ser bem-vindo!
Ela não encolhe, não reduz, aumenta..não empobrece, embeleza,
não é acessório, é principio, meio e fim!
acessibilidade não iguala, acolhe.

(Felipe Mianes e Liliana Passerino)

sábado, 1 de março de 2014

É carnaval!!!

Carnaval é uma festa popular.
Basta eu ter alegria e boa vontade.
Nesse bloco tão singular.
Faço da bengala o meu estandarte.
A cegueira é meu pavilhão,
No carnaval da diferença,
sou eterno folião.




Descrição da imagem:
Ao centro da foto Felipe Mianes sorrindo num terraço. O terraço possui piso de lajota vermelha, muretas de tijolo a vista e grades branca e marrom. No chão três vasos de planta decoram o ambiente ao ar livre. Felipe veste calça jeans, tênis branco e camiseta preta com bandeira da Catalunha. A bandeira da Catalunha Independentista, na vertical tem no terço superior um triângulo azul apontado para baixo e uma estrela branca ao centro. Abaixo listras vermelha e amarela na vertical, escrito na parte inferior: “Catalunya”. Ele está apoiado na bengala branca, tem uma perna para trás e na mão direita, levemente erguida para o lado direito segura a bandeira da Catalunha. Ao fundo pode-se ver a cidade de Barcelona, destacando-se o céu claro e vários prédios ao redor.
Roteiro: Liliane Birnfeld
Fim da descrição
Descrição da imagem:
Ao centro da foto Felipe Mianes sorrindo num terraço. O terraço possui piso de lajota vermelha, muretas de tijolo a vista e grades branca e marrom. No chão três vasos de planta decoram o ambiente ao ar livre. Felipe veste calça jeans, tênis branco e camiseta preta com bandeira da Catalunha. A bandeira da Catalunha Independentista, na vertical tem no terço superior um triângulo azul apontado para baixo e uma estrela branca ao centro. Abaixo listras vermelha e amarela na vertical, escrito na parte inferior: “Catalunya”. Ele está apoiado na bengala branca, tem uma perna para trás e a mão direita estendida pra frente com a bandeira da Catalunha, como se fizesse uma reverência. Ao fundo pode-se ver a cidade de Barcelona com vários prédios ao redor, destacando-se na arquitetura as cúpulas da da Arena de Toros Monumental.
Roteiro: Liliane Birnfeld
Fim da descrição