domingo, 24 de agosto de 2014

A OESTE DO FIM DO MUNDO TERÁ SESSÕES COM AUDIODESCRIÇÃO E LEGENDAS



O longa-metragem, com direção de Paulo Nascimento, estreia no dia 28 de agosto.

Produção da Accorde Filmes, o drama “A Oeste do Fim do Mundo” está em cartaz de  em 14 praças do país. Em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Porto Alegre com uma sessão diária com audiodescrição aberta e legendas em português. Os recursos possibilitam acessibilidade tanto para pessoas com deficiência visual e baixa visão como para pessoas surdas e com deficiência auditiva, promovendo uma ação inédita de inserção cultural.   

Na capital gaúcha as sessões são diárias, às 15h na Sala Eduardo Hirtz - Casa de Cultura Mario Quintana   

A HISTÓRIA:
Ruta 7, Argentina. Um velho posto de gasolina, perdido na imensidão da estrada transcontinental, é o refúgio do introspectivo Leon (César Troncoso). De poucas palavras, poucos gestos e nenhum amigo, sua solidão só é quebrada por um ou outro caminhoneiro eventual que passa por ali para abastecer. Ou pelas visitas sempre bem humoradas do sarcástico Silas (Nelson Diniz), um motociclista com ares de hippie aposentado.
Até o dia em que a enigmática e inesperada chegada de Ana (Fernanda Moro) transforma radicalmente o cotidiano de Leon e Silas. Aos pés da imponente Cordilheira dos Andes, segredos que pareciam estar bem enterrados vêm à tona, reabrindo antigas feridas e mudando para sempre a vida dos protagonistas.


AS SESSÕES ACESSÍVEIS:
O filme será exibido com audiodescrição e legendas no Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca, em São Paulo, no Espaço Itaú de Cinema Botafogo, no Rio, e na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, sempre na primeira sessão.

Elenco:
Cesar Troncoso
Fernanda Moro
Nelson Diniz
Alejandro Fiore
Marcos Verza
Clemente Viscaíno
Naiara Harry
Santiago Cinollo

Ficha técnica:
Produção: Accorde Filmes
Direção e Roteiro: Paulo Nascimento
Direção de Fotografia: Alexandre Berra
Direção de Arte: Voltaire Danckwardt
Produção Executiva: Marilaine Castro da Costa e Leonardo Machado
Produção Executiva Argentina: Martin Viaggio, Carla Gallas e Tomás Buchanan
Coprodução: Bufo Films e Panda Filmes
Direção de Produção: Mônica Arocha
Montagem: Marcio Papel
Música: Renato Müller

Ficha técnica do filme acessível:
Audiodescrição:
Roteiro: Marilaine Castro da Costa
Revisão: Bell Machado e Mimi Aragón
Consultoria: Mariana Baierle e Felipe Mianes
Narração: Marcia Caspary
Voice over: Fernando Waschburger, Marcos Verza, Leonardo Machado, Henrique Pina, Duca Duarte.
Gravação de voz: Duca Duarte
Edição de áudio: Bruno Klein- Som da Luz
Legendagem:
Edição legendas: Guilherme Pires
Supervisão montagem: Marcio Papel  

Assista ao trailer:
Vimeo:
Youtube:

Fonte: Marilaine Costa

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Vanidad destrozada



En las noches de invierno.
De tus ojos recurdo.
Muy frios y negros.
Duele que me quiera tan lejos.
És la estrella más brillante.
Bella y distante.
Puedo siempre verte.
Pero nunca tenerte.

Sólo camino por la calle.
La oscuridad refleja mi tristeza.
Corta fundo en la carne.
Y hará sangrar hasta que yo muera.

Daria todo el mundo.
Para tener por un segundo.
Una miga de tu mirada.
Mi vanidad ya está destrozada.

Te llevo siempre en mi corazón.
Desees tu o no.
Pues los amores imposibles.
Son los unicos inolvidables.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Adiós



Quando a chama se apaga
É finita nossa estrada.
O adeus dói muito menos.
Quando não se acusa ou apontam dedos.

No jardim de minhas lembranças.
Há também dor e desesperanças.
Teu sorriso e ternura.
Se transformaram em uma frieza soturna.

Tuas palavras aveludadas.
Viraram flechas envenenadas.
Que matam mais a quem desfere.
Do que a quem são destinadas.

Agora que está tudo acabado.
Não há um certo ou um culpado.
Estamos todos derrotados.

Sigamos cada qual a sua jornada.
Porque o passado que sangrava,
um dia vai cicatrizar.
O sofrimento ficará muy distante.
E cada um de nós será uma estrela cintilante.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Obrigado, Programa Incluir!

Se há uma coisa que tenho de bom é a memória, talvez por isso, eu sempre me lembre das oportunidades que tive na vida e dos momentos marcantes proporcionados por determinadas pessoas. Sei que a vida é feita de ciclos, mas nunca um afeto antigo será substituído por um novo, muito menos sairei por ai espezinhando o que passou, porque acima de tudo eu tenho sensibilidade e gratidão.
Em 2005, eu ingressei na UFRGS ainda como calouro do curso de Pedagogia. Por mais que eu tivesse uma hora a mais para realizar a prova, pouco ou nada adiantou porque o tamanho da letra era o mesmo e as imagens não eram descritas. Quando passei a frequentar os diferentes campi, percebi que os ambientes eram absolutamente inacessíveis. Embora existam leis que determinem a implantação da acessibilidade, os obstáculos continuam lá passada uma década.
Quando comecei a graduação nessa universidade os materiais não eram adaptados e eu tinha que me virar. Não havia NADA que proporcionasse acessibilidade para a permanência de alguém com deficiência no meio acadêmico. E, como persistente que sou, continuei mesmo assim.
Naquele ano, surgiu o edital chamado Programa Incluir, mas o conheci apenas no ano seguinte pela televisão. Descobri que a universidade tinha aderido, mas infelizmente, o professor Hugo Bayer que tanto desejou sua implementação, faleceu em um acidente aéreo. Pior ainda, os equipamentos  de acessibilidade ficaram anos encaixotados enquanto muitos de nós precisavam deles.
Algum tempo passou e eu até desisti de esperar que tudo aquilo me beneficiasse. Até que em 2008, concluía o curso e estudava para a seleção do mestrado que aconteceria naquele período, fiquei sabendo que o Programa Incluir finalmente passava a atender os alunos. A professora Adriana Thoma - coordenadora do programa – incentivou-me a ir até lá e ver como as coisas funcionavam. Estranhei um pouco porque estava acostumado que as instituições de ensino dificultassem ao invés de facilitar a minha vida.
Meus campos de estudos eram dentro da área da inclusão cultural, mas não sabia exatamente o que estudar, pois são tantas coisas que precisam mudar... Queria pensar em algo que fizesse diferença na vida das pessoas com deficiência, pensando naquilo que elas podem fazer, pensando nelas não como seres exóticos, mas como sujeitos que tem o direito a viver sua diferença.
Certo dia, fui até o Programa Incluir e encontrei a professora Adriana por lá. Convidou-me para uma conversa, e fez a pergunta que mudou a minha vida: “do que você precisa?”. Como pessoa com deficiência eu era obrigado a aceitar com muita alegria as migalhas de acessibilidade que as pessoas me davam.
Mas naquele dia não, ali se pensava no Felipe não como um defeituoso, mas como uma pessoa que tinha direito a ser como é. Eu nunca tinha me sentido tão acolhido e bem quisto na minha vida. Passei a ir lá seguidamente, mesmo quando não tinha materiais para pedir, apenas para estar naquele ambiente onde eu era bem tratado e que a minha diferença não era questionada.
E, encontrei meu campo de pesquisas: inclusão com acolhimento! Mais do que isso, tendo os materiais de estudos e a prova para o mestrado adaptada, tudo ficou bem mais fácil. E digo com todas as letras que sem o Programa Incluir eu até poderia ter sido aprovado, mas teria ido ainda mais difícil do que foi. E eu nunca poderei dimensionar o tamanho da minha gratidão, pois a vida acadêmica foi, é e será sempre o que eu quero para o resto da minha vida.
Conclui o mestrado em 2010, e fui aprovado no processo seletivo para o doutorado nesse mesmo ano, e também por conta dos materiais ampliados consegui cursar e aproveitar ao máximo todas as possibilidades de conhecimentos. Afinal, eu tinha acessibilidade aos materiais e sabia que as demandas que eu solicitasse fossem ao menos avaliadas.
Foi através do Programa Incluir que a audiodescrição passou a ser fomentada institucionalmente, quando da primeira formatura feita com AD. Fizeram também capacitações em audiodescrição formando inclusive profissionais que atuam em diferentes ambitos da universidade. Eis aqui outro mérito, muitos bolsistas dos cursos mais variados passaram por lá, atualmente trabalham na área da inclusão e até fizeram disso sua profissão.
Foram incontáveis as ocasiões em que a inacessibilidade arquitetônica me causou problemas inclusive de ferimentos físicos na universidade. Como da vez em que a UFRGS “arrendou” o campus central para um congresso sobre saúde, e tornou o lugar um campo minado para mim. Quando fui reclamar para as diversas instancias. TODAS as pró-reitorias ficaram com aquele “jogo de empurra” e não resolveram o caso, enquanto eu era obrigado a fazer curativos por conta dos ferimentos causados por aquele absurdo.
O ÚNICO lugar onde minhas reclamações sobre falta de acessibilidade na UFRGS eram ouvidas e havia tentativa de resolução era no Programa Incluir. Pois nos demais lugares eu era o “cri-cri” ou ainda era obrigado a ouvir: “não podemos fazer nada, quem sabe daqui algum tempo“. Acho que eles não se recordam que leis não se procrastinam, se cumprem. Mais do que isso, prover acessibilidade não é conceder caridade ou beneficio, mas uma obrigação constitucional.
Gostaria aqui de agradecer e parabenizar a professora Adriana Thoma por ter coordenado o Incluir por esses seis anos, e por ter mudado a vida de tanta gente. A gente sabe que nem tudo é perfeito, mas tudo pode ser relevado com diálogo e afeto, coisa que nunca te faltou; Obrigado por ter feito a pergunta que mudou a minha vida e por ter ficado à frente desse programa de vanguarda e que sempre nos acolheu tão bem, pensando na gente como pessoas e não como números.
Foi também através do Incluir que fiz vários amigos, Mariana, Rafael e Ariane, meus queridos amigos e “colegas” de baixa visão. Assim como, Fabiana, Bianca, Thayse e Liliane, foram amigos que encontrei por lá. E se não fosse o Incluir, talvez eu nunca os teria conhecido. Pode ser que eu tenha esquecido de algum fato ou pessoa, mas ao contrário de outrem, não é um apagamento de memória intencional, mas fruto de algum lapso nesse momento.
No dia 5 de Agosto de 2014 foi inaugurado o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão da UFRGS, assumindo as funções do Incluir. Espero de coração que sejam seguidas as políticas de acolhimentos das pessoas e que tenhamos nossas necessidades supridas. Espero que esse departamento conte com profissionais capacitados para atuar na área e que as pessoas com deficiência atendidas sejam chamadas para construir essa proposta nova.
Sei que todos os esforços serão feitos no sentido de remover as barreiras atitudinais e arquitetônicas na universidade. Afinal, há mesmo muito trabalho a fazer ainda. Logo irei terminar o doutorado e sair da UFRGS, mas espero que este núcleo possa ajudar a tantas outras pessoas com deficiência que ingressam na universidade a se sentirem acolhidas e que sejam dadas as condições de permanência a todas elas, contemplando suas necessidades.
Porém, é como eu disse antes, um afeto antigo jamais será substituído e em tempos de tantas mudanças, o importante é olhar para frente sem esquecer que houve um passado. E se esse texto for lido hoje ou daqui dez anos, gostaria de expressar todo meu carinho e gratidão pelo Incluir e por todas as pessoas que o construíram. E enquanto a minha luta pelo acolhimento prosseguir, uma chama do Incluir continuará acesa.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Humildade: o que aprendi com ela



Uma das primeiras coisas que aprendi com meus pais é que na vida as pedras rolam, e um dia elas sempre caem juntas no mesmo buraco, viram areia e voam com o vento. Não importa se essas pedras tenham sido usadas para construir um palácio ou um casebre, que elas sejam preciosas ou sem valor comercial. Seja como for, sempre viram pó.
Uma das coisas que a baixa visão me ensinou foi querer sempre ter a maior autonomia possível, porém, há situações em que iremos inevitavelmente depender de outra pessoa. Necessitar do outro para caminhar em segurança não é um sinal de fraqueza e sim de força para reconhecer que é assim que a humanidade deve andar, unida e se ajudando mutuamente. É difícil para algumas pessoas reconhecer que não podem fazer tudo sozinhas, mas por mais paradoxal que seja, depender do outro é libertador.
Quando o temperamento adolescente chega – e em muitos permanece por longo tempo -, pensamos que temos o mundo aos nossos pés, que nós sempre estamos certos e que “o inferno são os outros”. Já para aqueles que se acostumaram a ter ajuda desde cedo, esse processo se dá com menor intensidade e tem prazo de validade curto.  
Talvez por isso, eu tenha aprendido desde criança a necessidade de cultivar sempre a humildade como um dos valores fundamentais em minha vida. Como eu não enxergo muito bem o rosto das pessoas, a faxineira e o dono da empresa são a mesma coisa para mim, afinal, sendo pessoas, merecem o mesmo tratamento e atenção. Sempre achei mais interessante estar no mesmo nível do que todo mundo, por que assim eu consigo olhar as pessoas nos olhos – ainda que eu deva estar bem perto para fazer isso.
Vivendo no mercado de trabalho e no mundo acadêmico, venho percebendo que esse é um valor que está se apagando, quiçá pela sociedade individualista e competitiva em que vivemos. Mas quando já pensava que humildade fosse algo ultrapassado, tive uma experiência que levarei sempre dentro do meu coração.
Dentro da audiodescrição, há pessoas  de quem sou um fã efusivo, e a professora Josélia Neves, referência mundial nessa área é uma delas. Suas ADs são vigorosas, repletas de informação e poesia. Por isso, sempre fui admirador de seus trabalhos. Já tinha conversado muitas vezes com ela pelo Facebook, no entanto, por conta de minha ida a Leiria seria a primeira vez que a veria pessoalmente.
Fui apresentado a ela no momento em que acontecia um evento onde estavam sendo distribuídas camisetas aos participantes. Depois de um abraço, ela me perguntou: Tens uma camiseta? Eu respondi: Não, ainda não. E, para meu espanto, aquela pessoa que eu tanto admiro e que me via pela primeira vez na vida, tira a camiseta que estava sobre um blusão e me entrega dizendo: fica com essa então.
Para muitos, isso parece um gesto simples, não para mim. Mais ainda, porque depois de algumas conversas e de um breve convívio, tive ainda mais certeza da grandiosidade que é o ser humano Josélia Neves. Uma profissional gabaritada e capaz de obras geniais, que conversava comigo como se eu fosse de sua família.
Não são poucas as ocasiões em que conheço gente que está apenas iniciando na carreira ou que adquire algum destaque e logo a “fama” sobe para a cabeça. Depois da experiência em Leiria, fiquei com ainda menos paciência para aturar esse tipo de gente que age com arrogância e prepotência, desses quero distância. Não desejo o mal, mas aquele que empina demais o nariz acaba caindo de traseira no chão. Pior que isso, estará tão afastado das outras pessoas que dificilmente haverá quem estenda a mão para levantá-lo.
Não quero dizer que eu seja perfeito ou um exemplo a ser seguido, contudo, uma das coisas que sempre me orgulhei é da capacidade que tenho de saber quando estou errado e que devo aprender mais e mais a cada dia. Afinal, quando a gente não tem mais nada a aprender, que graça tem a vida?
Tempos atrás, alguns amigos me falaram que eu andava reclamando demais das coisas. Ao invés de ficar bravo e colocar a culpa em alguém, olhei para dentro de mim mesmo e percebi que falavam a verdade, e que eu precisava mudar, mais para o meu bem do que para mostrar aos outros. Aceite, aprendi e desde então tenho tentado melhorar, e espero estar conseguindo. Ficar mais tranquilo tem me feito tomar decisões menos açodadas, me faz dormir melhor e ter mais o afeto e simpatia das pessoas.
Isso também ocorre no âmbito profissional, pois quem vive no meio acadêmico deve saber que a crítica faz parte do cotidiano, e é assim que tem que ser. Se eu fosse me melindrar com cada probleminha que encontram nos meus trabalhos eu não teria mais tempo para me divertir. E, é justamente isso que me encanta na academia e na audiodescrição, que eu ainda trabalho me divertindo.
Mesmo porque, ter um discurso que valorize a diferença é fácil, levar adiante isso na prática, nem todos conseguem. Entender que ninguém está acima ou abaixo, que todos temos defeitos e qualidades, isso sim é compartilhar a experiência de viver na diferença.
Ter humildade não significa modéstia em excesso, pois cada um sabe e deve valorizar as qualidades que tem. Entretanto, de que adianta ter qualidades se não souber usar? De que adianta ser bom se ninguém te quer por perto? Além disso, aquele que acha que sabe tudo, na verdade, ainda não entendeu nada.
Portanto, a humildade é uma ponte que nos liga ás pessoas e aos conhecimentos. Enquanto isso, a soberba é um enorme muro de concreto sem cor e sem brilho por onde só se vê as sombras das coisas. Não tenho raiva, nem rancor de quem não é humilde, porque quem ainda não andou por essa ponte, merece mesmo é pena e compaixão, no mais, a vida se encarrega...